Prós e contra do projeto de lei do visto de yonsei

O assunto do momento, tanto nas comunidades nikkei do Brasil quanto do Japão, ainda é a possibilidade de liberação do visto de yonsei ou descendente de quarta geração dos japoneses. Famílias separadas e pessoas querendo sair do Brasil para trabalhar fazem parte desse grupo de descendentes.

Na sexta-feira passada (21), aconteceu em São Paulo uma palestra intitulada A comunidade nikkei e o novo papel da quarta geração. O palestrante foi Mikio Shimoji, parlamentar no Japão, que participa das discussões em relação ao visto para yonsei.

O CIATE – Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior foi uma das entidades organizadoras do evento. Yasuyuki Nagai, diretor superintendente, esteve na palestra. Segundo Nagai, o deputado Shimoji foi ao Brasil para explicar sobre o visto de yonseis, cujo projeto de lei poderá ser aprovado em novembro. “Ele (o deputado) elaborou uma forma de abrir a porta para os yonseis. Ainda não está totalmente pronto mas maior parte da ideia está concluída”, explicou Nagai.

Sobre a data para o início da concessão do visto, Nagai disse que a previsão é novembro, mas não se pode afirmar. Ele afirmou que assim que o visto for liberado, o CIATE irá publicar em seu site.

Segundo Nagai, muitos yonseis têm interesse no assunto, devido à crise econômica no Brasil e a facilidade de encontrar trabalho no Japão. “Pessoas que ganham salário mínimo no Japão conseguem pagar suas despesas, mas no Brasil é muito difícil. Muitos yonseis cresceram no Japão, querem voltar e não conseguem por causa do visto que ainda não está liberado” completou Nagai.

Os dois lados do suposto visto para yonsei

Cori Passos trabalha em uma agência de recrutamento de trabalhadores para o Japão desde 1997. Ele considerou de suma importância o governo japonês (por meio do deputado Shimoji) estar demonstrando interesse no assunto. Disse que notou uma discreta presença de pessoas do Consulado Geral do Japão em São Paulo.

Segundo Passos, algumas pessoas ficaram descontentes com a forma que a liberação do visto poderá ser feita. “Working Holiday não agradou pois o yonsei iria ao Japão a trabalho e estudo, não oferecendo segurança financeira. Esse visto talvez seja interessante para os adolescentes, mas para yonseis de 40 anos, alguns com formação superior, seria inviável. Muitos yonseis são casados e têm filhos, e não poderão sustentar suas famílias trabalhando e estudando” – completou Passos.

Passos pensa que a melhor alternativa seria conceder visto de longa permanência nos mesmos moldes que é concedido aos nisseis e sanseis. “Acredito ser necessário realizar um estudo sobre as necessidades dos yonseis no Brasil. Mesmo com a liberação do visto Working Holiday continuaremos a campanha de liberação do visto de longa permanência”, pontuou.

yonsei Robson Simoce, aguarda com expectativa a liberação do visto. “Quero muito ficar perto de meus pais e de minha irmã que estão no Japão. Quero trabalhar e aprender a cultura. Pretendo embarcar logo que o visto for liberado”, desabafou.

O consultor Claudio Suzuki, do Instituto Tomodati, pretende lançar uma entidade de apoio aos yonseis. “Fechamos parceria com outras grandes entidades ligadas aos trabalhadores estrangeiros no exterior, para fortalecer a luta pela liberação do visto para yonseis. Essa reunião foi um grande passo e esperamos que (a liberação) ocorra o mais breve possível.” afirmou Suzuki.

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